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Etiqueta na balada ou lembrei que prefiro bares.

Apesar das inúmeras piadas sobre ser velha, ainda não  o sou. Tenho 23 anos,  são no máximo 5 a mais que qualquer pessoa que possa estar na balada, em teoria. Mas ontem, me senti um peixe fora d´água, repeti muitas vezes “não era assim, antes, era?”.

Estou ciente que acontece um processo semicomplexo de dança do acasalamento ao meu redor. Mas eu só quero me mexer desajeitadamente (não poderia dizer dançar, aqui) ao som de músicas bacanas.

Estava com roupas sem decotes e sem cores, sem salto, olhando sempre para as luzes piscando no teto. Sou caretíssima, não troco fluidos na balada, veja, nunca. Se, por acaso, eu conhecer alguém bacana, a comunicação acontece por outros meios, em outros ocasiões. Meu único objetivo nesses lugares é ficar distraída com a música e luzes, levemente (ou muito) alcoolizada.

Os caras abordam. Eu falo não – de maneira mais ou menos gentil, proporcional à abordagem. O que me chocou foi a reação ao não. Agora os homens entendem “não” como “insista”? Você fala não, e o cara vai te seguindo, de novo, e de novo, te agarrando, puxando seu cabelo. Caras bonitos, devo dizer. Que conseguiriam ficar com qualquer garota (menos eu, vide parágrafo anterior) do recinto, se mudassem a técnica, acho. Agora também tem o cara que dá chilique, fica agressivo e reclama, depois da negativa. O cara mudo que fica dando voltas ao seu redor, como um cachorro.

Ah, não era assim antes, era?

ps. ir só em balada gay (mas gay de verdade) resolve todos esses problemas! Baladas HT: nunca mais!

¿por qué el español es la lengua más fea del mundo?

Eu odeio língua Espanhola (e paella também). É sonoramente muito feio. As palavras ficam encadeadas de uma maneira necessariamente melódica e irritante, por mais que eu tente variar a velocidade de fala. Se eu pronunciar síbalas com intervalo de 1s entre elas, ainda assim estarei cantando. Muito vagarosamente, é claro.

Mais os agravantes: que canção em Espanhol não é cafona? Bom, apelarei, lembrando vocês de Almodóvar e seus filmes nos anos 80. De Julio Iglesias. Novelas mexicanas. Colares cubanos. Fernando Botero. Misses colombianas. É claro, também tem coisas boas no mundo em Espanhol – Dalí, Adolfo Bioy Casares, Miró, Julio Cortázar, El Greco – só para citar alguns. Mas o brega é muito mais brega em Espanhol. Se eu souber que você leu isto e ainda assim falar Espanhol comigo, serei obrigada a vomitar nos seus sapatos!

A exposição é minha, o voyeurismo é seu.

O voyeur gosta de observar. Não entendo o auto-controle para ansiar por algo, esperando movimentos sem fazer nada. Não consigo não agir, eu preciso correr, escrever.  Sou a contrapartida nua vulnerável à mercê dos seus olhares frios e atentos, voyeurs. É  assim que vocês lêem este blog. Cada palavra é uma peça de roupa que tiro, até que eu também arranque minha pele e fique em carne-viva, tão vermelha como os esmaltes que costumo usar.