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Os 15 álbuns que mais escutei até hoje, em ordem cronológica.

1) Os SaltimbancosSaltimbancos, Chico Buarque.

Meu primeiro LP, claro, dado os pais esquerdistas que tinha. Não, eles não morreram, mas tenho a impressão que preferem os tucanos, hoje em dia.

Enfim, a Galinha, o Cachorro, o Burro e a Gata – personagens das minhas lembranças mais antigas.

2) As Quatro Estações, Vivaldi. As Quatro Estações

Dos cinco aos nove anos, toda quinta-feira minha professora de piano e flauta colocava o cd, enquanto explicava a clave de fá e/ou me dava longas broncas, pois eu ia andar de patins e não estudava.  De tanto escutar Vivaldi com broncas, larguei o piano e fui aprender o violino.

3) Abbey Road, The Beatles.

abbey_road

4) Os Mutantes, Os Mutantes. album-mutantes

Ainda criança, não tinha meu próprio aparelho de som, então passava as manhãs antes da escola descobrindo os LP´s, fitas cassetes e cd´s dos meus pais. The Beatles, Chopin, Os Mutantes – era o que eu escutava. Não sabia a música do Carrossel porque não podia assistir, então, para não me sentir muito outsider, pedi para a minha BFF da escola me ensinar. Embora ninguém concordasse,  achava “as pessoas da sala de jantar” e “Here comes the sun” mais legais que “embarque neste carrossel”.

5) Nove Luas, Paralamas do Sucesso.Nove Luas

Uh, em 96 ganhei meu primeiro cd-player – presente do meu aniversário de 10 anos. Na loja de cd´s, não sabia o que escolher. Não conhecia nada e queria escolher “meu primeiro cd” como marca da independência das preferências musicais dos meus progenitores.  Achei a capa bonita, estava em exposição e levei o álbum ao caixa. Antes de pagar, minha mãe perguntou “você gosta de Paralamas?”. “Claro, né, mãe!”. Nunca tinha escutado, mas por sorte gostei e considero o melhor trabalho dos Paralamas do Sucesso.

6) Dirt, Alice in Chains.Alice_In_Chains_-_Dirt_-_front

Confesso  que gostaria de ser alguns anos mais velha, para ter sido mais influenciada pelo grunge do que sou. Não peguei o Zeitgeist do movimento, ouvi Alice in Chains pela primeira vez com uns 5 anos de atraso.  Pulei aqui os anos-lixo das boy band e, pela qualidade da lista, fui para 97, quando tinha melhorado a seleção para meu ouvidos.  Voltando ao assunto, Alice in Chains é, para mim, a melhor banda grunge que existiu.

7) Supposed Former Infatuation Junkie, Alanis Morissette.

Supposed_former_infatuation_junkie_1998Meu primeiro grande show foi o da Alanis. Tinha 12 anos e, com medo de não poder entrar, fui maquiada como uma palhaça. O segurança  logicamente percebeu e eu tive que fazer cara de cachorro na chuva, para que ele me deixasse passar.

Além disso, só de falar o nome do cd e as letras rebuscadas, a turminha do inglês me odiava.

8 ) Sabbath bloody Sabbath, Black Sabbath. Sabbath

Com 17 anos, cantei numa bandinha do tipo molecada do interior fazendo cover de tudo que gosta de escutar. Metallica, Black Sabbath, Ozzy solo. Ah, meus 16-17 anos…Anyway, acho “Sabbath bloody Sabbath” uma das melhores canções de todos os tempos.

9)   A Rush of Blood to the Head, Coldplay. Coldplay

Um clichê. Acho que todas as minhas incursões pelo mundo dos relacionamentos amorosos, tem Coldplay tocando. Muita gente fala mal, mas garota apaixonada que eventualmente posso ser, gosto. E não acho musicalmente ruim, tá, só um pouco piegas…

10) Ventura, Los Hermanos.

los_hermanos_venturaÉ inaceitável, acredita que Los Hermanos acabou e eu NUNCA vi um show deles? “Ventura” é bom do começo ao fim, não canso de escutar desde 2003.

11) Impulse, Duke Ellington e John Coltrane. Impulse

“In a Sentimental Mood” é a melhor música de jazz que existe, e eu duvido do seu gosto musical, se discordar comigo. Brincadeiras à parte, desconfio de quem não gosta de jazz, bom sujeito não é.

Se eu me sentia outsider com 8 anos de idade, com 19, nada mudou. Ao falar sobre jazz, sendo jovem, automaticamente ganho o rótulo “pseudointelectual” (porque é, supostamente, impossível que eu goste de verdade, pura e simplesmente).

12) Amplified Heart, Everything but the Girl. EBTG

Este é certamente o pior cd do EBTG, mas me apresentou o trip-hop que eu nunca mais parei de escutar, desde que descobri, lá por 2004:  Beth Orton, Portishead, Massive Attack, Frou Frou, Morcheeba. Deixo registrado aqui que não suporto o hit “Like the Desert miss the Rain”.

13) Love is Hell, Ryan Adams. Love_Is_Hell

Depois de algumas desilusões amorosas, comecei a berrar “Love is Hell”, com o Ryan Adams – que  fez tudo que o Bob Dylan fez, mas muito melhor. Hoje eu ainda berro porque descobri que ele casou, droga! Também odeio quando digo que gosto de Ryan Adams e as pessoas confundem com Bryan Adams.

14) Good Bye Lenin! Soundtrack, Yann Tiersen. yanntiersengoodbyelenin

Músicas minimalistas, Yann Tiersen, Phlipp Glass, Steve Reich. Esses caras andam fazendo as trilhas mais bonitas da história do cinema.

E eu adoro os filmes fofinhos, coloridos, pós 2000. Mais montes de clichês.

15) Takk, Sigur Rós.

takkToda esta trajetória musical me trouxe até aqui. Não passo um dia sequer sem ouvir Sigur Rós, aquela banda islandesa de músicas megalomaníacas, longas e incríveis.

Extremos.

(estava lá no blog antigo e migrou pra cá).

Sometimes I feel this weirdness: I listen to beautiful songs and I can´t help smiling huge smiles, carrying a light tenderness, as I walk alone on the streets. People give me harsh looks, disapproving. They make me feel likely to break, sickly intense, unusually vulnerable and unbalanced. But then I remember: they are lacking of passion.

I can only envy and hate someone walking so cheerful these days,when all I can do is suffocate my cries of desperation and whispers for help. Those people have even light steps – I would like to grab the feet and put there a bit of this dark anguish to share some of the weight. They smile at me and make me feel likely to break, sickly intense, unusually vulnerable and unbalanced. But then I remember: they are lacking of passion.

Etiqueta na balada ou lembrei que prefiro bares.

Apesar das inúmeras piadas sobre ser velha, ainda não  o sou. Tenho 23 anos,  são no máximo 5 a mais que qualquer pessoa que possa estar na balada, em teoria. Mas ontem, me senti um peixe fora d´água, repeti muitas vezes “não era assim, antes, era?”.

Estou ciente que acontece um processo semicomplexo de dança do acasalamento ao meu redor. Mas eu só quero me mexer desajeitadamente (não poderia dizer dançar, aqui) ao som de músicas bacanas.

Estava com roupas sem decotes e sem cores, sem salto, olhando sempre para as luzes piscando no teto. Sou caretíssima, não troco fluidos na balada, veja, nunca. Se, por acaso, eu conhecer alguém bacana, a comunicação acontece por outros meios, em outros ocasiões. Meu único objetivo nesses lugares é ficar distraída com a música e luzes, levemente (ou muito) alcoolizada.

Os caras abordam. Eu falo não – de maneira mais ou menos gentil, proporcional à abordagem. O que me chocou foi a reação ao não. Agora os homens entendem “não” como “insista”? Você fala não, e o cara vai te seguindo, de novo, e de novo, te agarrando, puxando seu cabelo. Caras bonitos, devo dizer. Que conseguiriam ficar com qualquer garota (menos eu, vide parágrafo anterior) do recinto, se mudassem a técnica, acho. Agora também tem o cara que dá chilique, fica agressivo e reclama, depois da negativa. O cara mudo que fica dando voltas ao seu redor, como um cachorro.

Ah, não era assim antes, era?

ps. ir só em balada gay (mas gay de verdade) resolve todos esses problemas! Baladas HT: nunca mais!

Eu preciso de pessoas que me façam calar a boca.

Eu falo muito por aí. Falo das piadas de ouvi (com ou sem graça). Aliás, prefiro as sem graça, é melhor rir do ridículo, e a maioria em tom sarcástico. Falo em outras línguas. Falo com um sotaque mistureba estranho. Falo sobre como sou um clichê ambulante. Falo com pessoas que me pagam bebidas que não bebo, em bares. Falo com o editorial da Folha sobre os erros que encontro. Falo 50 minutos por semana com um psicólogo. Falo para o namorado aquilo que sei que ele quer ouvir. Falo muito bem em reuniões e situações corporativas (consigo o emprego). Falo, bêbada, para esconderem meu celular. Falo sobre amenidades em elevadores. Falo para a mulher da Vivo que vou continuar pagando caro, porque não quero promoções. Falo sobre assuntos polêmicos e tendo a ser intolerante com opiniões que considero idiotas. Falo com meu ex-chefe, frequentemente. Falo com o segurança da balada e furo a fila. Falo com meus amigo sobre escolhas erradas, indecisões e problemas comuns de relacionamentos. Falo de maneira simpática com servidores públicos e vendedores, e consigo bons descontos e prazos menores. Falo com amigos de infância, mas acho que não temos nada em comum. Falo que não quero a Nota Fiscal Paulista, para a mulher do caixa, no supermercado. Falo com meus ex-namorados como se não os conhecesse direito (provavelmente não conheço, mesmo). Falo “oi, tudo bem?” para o porteiro toda vez que passo. Falo pacientemente com meus avós. Falo chorando e acho que as pessoas entendem. Falo durante filmes. Falo comigo mesma.

Eu preciso de pessoas que me façam calar a boca.